És uma tentadora: o teu olhar amável
Contém perfeitamente um poço de
maldade,
E o colo que te ondula, o colo inexorável
Não sabe o que é paixão,
e ignora o que é vaidade.
II
Quando me julgas preso a eróticas cadeias
Radia-te na fronte o céu das alvoradas,
E quando choro então é quando garganteias
As óperas de Verdi e as árias estimadas.
III
Mas eu hei-de afinal seguir-te a toda a parte,
E um dia quando eu for a sombra dos teus passos,
Tantos crimes terás, que eu hei-de processar-te,
E enfim hás-de morrer na forca dos meus
braços.
Lisboa
Publicado no Boletim do Cancioneiro Português,
por J.Leite de Vasconcellos e Ernesto Pires, Porto, Setembro de 1879
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