The Poetry of Cesário Verde

A Forca

Já que adorar-me dizes que não podes,
Imperatriz serena, alva e discreta,
Ai, como no teu colo há muita seta
E o teu peito é peito dum Herodes,


Eu antes que encaneçam os meus bigodes
Ao meu mister de amar-te hei-de pôr meta,
O coração mo diz- feroz profeta,
Que anões faz dos colossos lá de Rhodes.

E a vida depurada no cadinho
Das éroticas dores do alvoroço,
Acabará na forca, num azinho,

Mas o que há-de apertar o meu pescoço
Em lugar de ser corda de bom linho
Será do teu cabelo um menos grosso.


2 Abril, 1873
Publicado no Diário de Notícias, Lisboa, 12 Dezembro de 1873.
Other Poems of Cesário Verde:[Cinismos] [A Débil][Desastre] [Fantasias do impossível:Esplêndida] [A Forca][Humilhações] [Impossível] [Lágrimas][Merina] [Na cidade/A débil][Nevroses/Contrariedades] [Num Tripúdio de Corte Rigoroso] [ÓÁridas Messalinas][Provincianas] [Sardenta][O Sentimento dum Ocidental] [Vaidosa]
[Cesário Verde Main Page][ Home Page]