The Poetry of Cesário Verde

Ecos do Realismo:
Lágrimas

Ela chorava muito e muito, aos cantos,
Frenética, com gestos desabridos;
Nos cabelos, em ânsias desprendidos,
Brilhavam como pérolas os prantos.
 

Ele, o amante, sereno como os santos,
Deitado no sofá, pés aquecidos,
Ao sentir-lhe os soluços consumidos,
Sorria-se cantando alegres cantos.

E dizia-lhe então, de olhos enxutos;
- "Tu pareces nascida de rajada,
"Tens despeitos raivosos, resolutos;
 

"Chora, chora, mulher arrenegada;
"Lacrimosa por esses aqueductos...
"Quero um banho tomar de água salgada".

Lisboa, 1874


Publicado no Diário da Tarde, Porto, 21 de Janeiro de 1874.
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