The Poetry of Cesário Verde

Vaidosa

Dizem que tu és pura como um lírio
E mais fria e insensível que o granito,
E que eu que passo por aí por favorito
Vivo louco de dor e de martírio.

Contam que tens um modo altivo e sério,
Que és muito desdenhosa e presumida,
E que o maior prazer da tua vida,
Seria acompanhar-me ao cemitério

Chamam-te a bela imperatriz das fátuas,
A déspota, a fatal, o figurino,
E afirmam que és um molde alabastrino,
E não tens coração, como as estátuas.

E narram o cruel martirológio
Dos que são teus, ó corpo sem defeito,
E julgam que é monótono o teu peito
Como o bater cadente dum relógio.

Porém eu sei que tu, que como umópio
Me matas, me desvairas e adormeces
És tão loira e doirada como as messes
E possuis muito amor... muito amor-próprio.


Other Poems of Cesário Verde:[Cinismos] [A Débil][Desastre] [Fantasias do impossível:Esplêndida] [A Forca][Humilhações] [Impossível] [Lágrimas][Merina] [Na cidade/A débil][Nevroses/Contrariedades] [Num Tripúdio de Corte Rigoroso] [ÓÁridas Messalinas][Provincianas] [Sardenta][O Sentimento dum Ocidental] [Vaidosa]
[Cesário Verde Main Page][ Home Page]